Práticas relatam “o processo de acolhimento na saúde”.

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Os mais de 5 mil relatos enviados para a 2ª Mostra Nacional de Práticas em Psicologia mostram a beleza, a importância e abrangência do trabalho de seus profissionais no país. Eles contam com 19 áreas de atuação (de Assistência Social a Trabalho), analisados sob 14 diferentes processos de trabalho.

Selecionando os Pôsteres inscritos em “Saúde” (área), com “Acolhimento” (processo), encontramos 68 relatos. Deles, reproduzimos abaixo algumas conclusões:

-“O trabalho com grupos fortalece a rede comunitária dentro de uma instituição hospitalar, mexe com as “paredes”, flexibiliza “estruturas”, torna os blocos de cimentos permeáveis à comunidade e começa a retirar das pessoas que trabalham na instituição o imobilismo relacional”,  Tania Madureira Dallalana, autora da prática “Grupos Terapêuticos no Hospital: Ressignificando sofrimentos”.  Hospital de Clinicas da Universidade Federal do Paraná. Curitiba, PR.

-“O apoio matricial na atenção primária possibilita diálogos na forma de se fazer clínica, pela atitude de inclinar-se ao outro, pela escuta clínica diferenciada, na qual há um interesse autêntico pelo sujeito em situação de cuidado, a fim de propiciar um encontro de um novo sentido para a da vida dos usuários”.Cinthia Maia Pederneiras, coordenadora  “Práticas Clínicas ampliadas: a saúde mental nas periferias urbanas”. Natal, RN.

-“O que deve ser problematizado, no entanto, relaciona-se ao preconceito tecnológico e à dificuldade em romper com paradigmas tradicionais no processo de trabalho de assistência a populações marcadas por ampla carência e exclusão social histórica no âmbito da saúde mental coletiva”. Joanna Carneiro, coordenadora da prática “Acolhimento e Humanização em sala de espera”, no Ambulatório de saúde mental Oswaldo Camargo, Salvador-BA.

-“Trabalhar com o Plantão Psicológico requer um "colocar-se em cheque", ou seja, implica estar atento ao que se faz, como se faz e para quem se faz. Tal ideia subjaz: disponibilidade à mudança, ao não formatado. O Plantão vem com a proposta de romper com moldes tradicionais de prática psicológica”. Jonalva Paranã de Araújo Gama, prática ”Plantão Psicológico e Programa Saúde da Família: uma tentativa de aproximação”.

 -“A inclusão social, interagir com a sociedade, o esclarecimento e orientação direcionada a sociedade sobre transtorno mental, talvez fosse uma forma de contribuir para o fim dos preconceitos sofridos por estes pacientes”Mara Lúcia Wachers Bueno, em sua prática “Ateliê Aberto com pacientes do Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) de Itupeva”. Itupeva, SP.

-“A diferença do comportamento em função da qualidade de recuperação dos pacientes que estão vinculados ao setor da pediatria, assim como o envolvimento extremamente acolhedor e positivo da equipe médica, enfermeiros (as), psicólogos (as) e atendentes... despertou o interesse de levar o acolhimento para os outros Setores e Alas do Hospital”. Andreia Karla Moraes Arruda. Prática: Terapia da Alegria, Hospital Regional Dom Moura, Garanhuns, PE.

-“A oportunidade de colocar o que sente neste momento de vida, em um grupo que apresenta sentimentos similares, tem proporcionado na enfermaria um ambiente mais cooperativo e solidário. Destacam(os atendidos) que poder ter um espaço para compartilharem suas dúvidas, angústias ou temores, sem serem julgados, tem sido bastante significativo e fortalecedor, alterando inclusive a imagem que se tinha do serviço público”. Valquiria Wanda Lopes dos Santos, coordenadora da prática Grupo de acolhimento para acompanhantes hospitalares, Hospital da Restauração. Recife, PE.

-“Os pacientes com insuficiência renal crônica entram no processo do adoecer criando fantasias acerca da morte, visto que no hospital, a finitude  é tema tão recorrente e tão negado. Foi possível estabelecer vínculo com os pacientes, o que ajudou na diminuição das fantasias sobre a doença e o transplante de rim”. Janaina Prates Leal Silva, “Prática em Psicologia Hospitalar”. Hospital Casa de Saúde São José. Uberaba, MG.

-“Os impactos deste trabalho se mostram pela redução do número de casos de familiares que necessitam de atendimento médico de emergência e mesmo de internação (...)  As famílias atendidas mostram-se positivamente afetadas pelo atendimento do psicólogo, relatando maior capacidade de enfrentar a notícia do óbito”. Elvira Maria Moraes Ornelas, coordenadora da prática A psicologia na notificação de óbito: um olhar sobre a comunicação da morte no Hospital Geral”. São Gonçalo, RJ.

- “Pode-se notar que a demora entre o pedido e a escuta deste, provoca a evasão, o desânimo, a descrença nos serviços. Essa experiência motivou as estagiárias implantarem e realizarem o agendamento de triagem e escuta de todos que procuram atendimento psicológico na unidade”.  Jerusa Leal Silva, coordenadora da prática “Contribuição do estágio em Saúde Coletiva na organização da assistência psicológica em uma Unidade Matricial de Saúde: Um olhar e uma ação voltada para a fila de espera”. Uberaba, MG.

Exemplos da riqueza do material enviado para a 2ª Mostra, estes 10 pequenos trechos destacados convidam-nos  à reflexão, ao questionamento de práticas e processos, bem como  a uma melhor compreensão das necessidades do próximo. Afinal,  comemorando os 50 anos da profissão, a  2ª Mostra Nacional de Práticas em Psicologia assume “o compromisso com a construção do bem comum” .

A reprodução das notícias é autorizada desde que seja citada a fonte: Conselho Federal de Psicologia.

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