Mesa sobre Avaliação psicológica lota auditório no primeiro dia da Mostra

Compartilhe:

Os processos de avaliação e os desafios da predição do comportamento foram temas de discussão de mesa redonda que ocorreu na manhã desta quinta-feira (20), no Palácio de Convenções, durante a  2ª  Mostra Nacional de Práticas em Psicologia.

A mesa,mediada pela conselheira do CFP, Ana Paula Noronha, contou com o psicólogo e professor  da Universidade Federal de Pernambuco, Maurício Bueno, o psicólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Claudio Hutz e a psicóloga e professora e ex-presidente do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP), Maria Cristina Pellini.

Durante o debate -que lotou o auditório da Sala A  - os palestrantes abordaram as dificuldade e avanços  da avaliação  psicológica no trabalho dos psicólogos (as), envolvendo principalmente a questão da formação.

“Quando nos relacionamos com alguém, temos expectativas de como a pessoa vai se comportar. Isso pode gerar a necessidade de fazer avaliações e pensar em como  trazer melhores resultados para o futuro. É com este tipo de demanda que uma profissão se estrutura”, explica Maurício Bueno.

Formação

As deficiências na formação da categoria foram ressaltadas por Claudio Hutz, que lembrou serem os testes psicológicos a única ferramenta privativa dos psicólogos (as) e que, portanto, deveriam ser vistos de forma diferenciada. “É muito importante que seja dada mais ênfase à avaliação psicológica ao se falar na formação”, diz.

Segundo dados atualizados, há, atualmente, 502 cursos de Psicologia no país, sendo 245 no Sudeste e, segundo Hutz, nenhum destes cursos dedica nem 5% de suas cargas horárias para avaliação psicológica. “Não é por acaso que temos tantos psicólogos (as) com dificuldade para trabalhar na área”, constata.

Mas não há só deficiências na formação dos psicólogos (as). Uma das conquistas recentes é o Sistema de Avaliação de Testes psicológicos, o Satepsi, modelo que permitiu a melhoria da  qualidade dos testes no país. “O Satepsi só surgiu por deficiência de formação dos psicólogos na área. Aqui no Brasil muitos testes estavam sendo vendidos sem condições de uso e quando o Satepsi foi implementado, grande parte foi retirada do mercado”, diz Hutz.   Dos 150 testes vendidos, segundo ele, apenas 32 permaneceram.

Os aumentos nos programas de pós-graduação e a melhoria na qualidade dos professores também foram destacados como conquistas positivas na área da formação.

Como reflexão para avanços futuros na área, a psicóloga Maria Cristina Pellini lembra a importância do reconhecimento da  avaliação psicológica enquanto prática da Psicologia, seja em que ambiente de trabalho o profissional estiver. “Muitos psicólogos acham que por estarem atuando em determinado local não fazem avaliação psicológica, mas todo profissional faz”, explica.

“A avaliação psicológica vai muito além de aplicar testes. Ela passa pelo entendimento do individuo, e não há como intervir sem fazer um bom diagnóstico”, conclui Claudio Hutz.

 

A reprodução das notícias é autorizada desde que seja citada a fonte: Conselho Federal de Psicologia.

Leave a Comment