Debate sobre futuro da Psicologia ressalta o compromisso social

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Compromisso social, redemocratização da educação, interdisciplinaridade. Esses são alguns dos principais desafios da Psicologia para as próximas décadas,  alvo de debates na sala “Estratégias para o Futuro da Psicologia”, realizada nesta quinta-feira (20/9), na 2ª Mostra Nacional de Práticas em Psicologia. Cerca de 60 pessoas conferiram as palestras.

A mesa foi composta pela presidente da Associação Brasileira de Ensino da Psicologia (ABEP), Ângela Soligo, da presidente da Associação Brasileira de Psicologia Social (Abrapso), Neuza Guareschi, e da professora da Universidade Federal do Amazonas, Iolete Ribeiro. A psicóloga e conselheira do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Tania Brasileiro foi a responsável pela coordenação dos trabalhos.

Neuza Guareschi falou sobre os vetores da Psicologia contemporânea. Para ela, a produção de conhecimento deve estar atrelada aos movimentos sociais, às políticas públicas e à economia. “São esses pilares que colocam a produção do conhecimento em psicologia social no Brasil em movimento”, define.

A redemocratização da educação foi outro ponto considerado fundamental para os planejamentos que envolvem o futuro da profissão. “Há muito a fazer em relação a formação da Psicologia. O repertório tecnológico e a metodologia da profissão precisam ser melhor desenvolvidos”, afirma a professora Iolete Ribeiro.

Iolete pontua a necessidade de inserir na formação dos psicólogos (as) as novas tecnologias de atuação e os novos olhares da sociedade. “O descompasso entre demandas sociais e formação acadêmica, com um modelo de 1970 voltado para psicoterapia, acaba gerando insegurança profissional por falta de embasamento das questões práticas da sociedade”.

Sobre os novos conceitos que envolvem a formação psicológica, Ângela Soligo acredita que o cerne da questão está na discussão sobre as várias formas de preconceito e discriminação que são produzidas na sociedade. “A Psicologia passou muito tempo trabalhando com a perspectiva de um humano ideal, egocentrista, que não se preocupava em discutir questões básicas como racismo e homofobia. Esses são pontos que precisam estar na formação da profissão”.

Soligo considerou, ainda, que os desafios da profissão precisam incluir o reposicionamento da Psicologia na discussão e na produção de conhecimento sobre a medicalização na infância, sem rótulos. “Também é importante discutir as questões das realidades que afetam a juventude”, completou.

No ponto de vista das psicólogas, o futuro da profissão deve estar pautado no compromisso ético e em uma abordagem interdisciplinar da realidade. “Temos que nos focar nos seres humanos e nos contextos que eles vivem para, assim, pensar em uma perspectiva de promoção de saúde física e mental em seu sentido mais amplo”, concluiu Tânia Brasileiro.

A reprodução das notícias é autorizada desde que seja citada a fonte: Conselho Federal de Psicologia.

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